PS DEFENDE INTERESSE PÚBLICO E REJEITA PRORROGAÇÃO DE SETE ANOS DO CONTRATO COM A SGAL
O Grupo Municipal do Partido Socialista (PS) na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) votou contra a proposta apresentada pelo Executivo de Carlos Moedas para prorrogar o contrato com a Sociedade Gestora da Alta de Lisboa (SGAL) até 2032. O PS defendeu, como alternativa, uma prorrogação por apenas dois anos, alinhada com as prorrogações anteriores.
A proposta 105/2025, apresentada pelo Executivo PSD/CDS-PP, previa a prorrogação do contrato por sete anos, o que hipotecaria decisões sobre uma parte significativa do território da cidade durante os próximos dois mandatos autárquicos, sem garantias adequadas para a salvaguarda do interesse público.
- CONTEXTO E IMPORTÂNCIA DA URBANIZAÇÃO DA ALTA DE LISBOA
O contrato para a urbanização da Alta de Lisboa, celebrado em 1984, previa inicialmente:
- Urbanizar e recuperar áreas degradadas do Alto do Lumiar, e
- Construir habitações destinadas ao realojamento de população residente em condições degradadas.
Trata-se de uma área com capacidade para a construção de 12 mil casas, fundamental para o desenvolvimento da política de habitação da cidade e para a resolução dos problemas de muitos cidadãos sem acesso a habitação a preços comportáveis.
- RAZÕES PARA A REJEIÇÃO DA PROPOSTA DO EXECUTIVO
O PS considera que a proposta apresentada pelo Executivo de Carlos Moedas não defende devidamente os interesses do Município e dos lisboetas, pois compromete um conjunto vasto e importante de terrenos urbanizados durante 7 anos, sem penalizações expressas para a SGAL, caso não apresente a devida construção de habitação.
O PS destaca ainda a gravidade da forma como a proposta foi apresentada, pois, pela sua complexidade e profundidade, deveria ter sido distribuída com maior antecedência, de modo a permitir que a AML, que detém a importante competência de acompanhar e fiscalizar a atividade da Câmara Municipal de Lisboa (CML), estivesse em melhores condições para um debate consciente e para a tomada de decisão fundamentada.
Entre as principais preocupações identificadas pelo PS na proposta do Executivo Municipal, destacam-se:
- A ausência de visto prévio do Tribunal de Contas, com potenciais consequências legais e financeiras;
- A eliminação da dívida da Taxa pela Realização, Manutenção e Reforço das Infraestruturas Urbanísticas (TRIU);
- A desobrigação de compromissos antigos, como a construção da ligação entre o Campo Grande e as Calvanas;
- A impossibilidade de o Município rever o contrato durante os próximos 7 anos;
- A falta de prazos definidos para a edificação pela SGAL dentro do período proposto.
- A SOLUÇÃO QUE DEFENDEMOS
A proposta apresentada pelo PS previa prolongar o contrato por apenas dois anos, até 31 de março de 2027, adequando a percentagem dos compromissos da SGAL proporcionalmente, e permitindo ao município fazer a devida avaliação, enviando relatórios periódicos à Assembleia com a execução do contrato.
O PS defende não dever ser possível entregar a uma entidade privada terrenos municipais urbanizados sem uma forte balização do cumprimento de ambas as partes.
- POSICIONAMENTO DO PS SOBRE A PROPOSTA DO EXECUTIVO
O PS está a ser responsável com o património e com o erário público, defendendo a garantia da construção de habitação na cidade, pois essa é uma das suas prioridades ao nível das políticas para Lisboa.
Os interesses dos lisboetas têm de estar acima dos interesses das entidades privadas, sendo lamentável que o atual executivo municipal não partilhe desta visão.
O PS reafirma que não se move contra a SGAL, pelo contrário, considera fundamental envolver os promotores na resolução dos desafios da cidade.
No entanto, lamenta a forma como Carlos Moedas conduziu todo este processo – sem articulação com as forças políticas representadas no Executivo da CML, nem com a própria AML – procurando impor soluções unilaterais sem estratégia para a cidade.
A solução proposta por Carlos Moedas não contribuía para resolver os problemas da habitação através do desenvolvimento de habitação acessível, nem para impor prazos para o desenvolvimento da construção privada nas malhas que a SGAL tem disponíveis.
- VOTAÇÃO E PRÓXIMOS PASSOS
Na votação realizada na AML, todas as propostas (do PS, do PSD e do Executivo) foram rejeitadas, ficando por definir o futuro do contrato que terminou a 31 de março de 2025.
O PS reitera o seu empenho no encontrar de soluções para os desafios que se colocam a Lisboa e aos lisboetas – entre os quais está a necessidade urgente de mais habitação a preços acessíveis – envolvendo todos os atores num diálogo construtivo e em prol da cidade.
Lisboa, 1 de abril de 2025
01.04.2025 – Comunicado de Imprensa PS – SGAL (2)


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